Pe. Raulino Reitz: O Legado de Paciência e a Memória Viva do Morro do Baú
Antes mesmo de a palavra "ecologia" se tornar popular e antes de a legislação ambiental ser robusta, Ilhota já contava com um visionário que enxergava o valor inestimável da nossa Mata Atlântica. Estamos falando do Cônego Doutor Raulino Reitz (1919-1990), um padre, botânico e historiador que é, merecidamente, o Patrono dos Ecologistas Catarinenses.
| Pe. Raulino Reitz/Brusque Memória |
No nosso blog, dedicado a preservar a história, é essencial mergulhar na memória deste homem, cujo trabalho garantiu a preservação do nosso imponente Morro do Baú.
| Morro do Baú/ Ilha Belga |
Padre, botânico, historiador, fundador de diversas unidades de conservação e Patrono dos Ecologistas Catarinenses; a vida de Reitz foi um testemunho de dedicação.
O Fundamento da Criação: Ciência e Fé
O Padre Reitz enxergava a ciência como um instrumento de sua fé e do seu sacerdócio. Seu grande projeto, o Herbário Barbosa Rodrigues (fundado em 1942 em Itajaí), nasceu com o objetivo de catalogar 95% da flora catarinense.
Sua paixão pela preservação não era um hobby, mas uma missão metódica. Como disse um de seus biógrafos:
"A paciência fez dele o gênio. Durante 52 anos dedicou-se ao estudo da natureza, especialmente no campo da Botânica, dia por dia, ano por ano, no silêncio do gabinete ou da pesquisa de campo, nas dificuldades das viagens." (Pe. José A. Besen, em homenagem ao Centenário de Reitz)
Essa "paciência cotidiana" foi fundamental para que, em 1961, o Morro do Baú recebesse o primeiro grande ato de proteção formal em Ilhota: o Parque Botânico Morro do Baú, criado sob a administração do Herbário.
O Olhar de 1948: O Alerta de Raulino Reitz
A preocupação de Pe. Raulino com a área do Morro do Baú é antiga e foi registrada em imagens históricas.
O jornal O Município recuperou uma memória crucial sobre o momento em que a ação se tornou urgente:
| Padre Raulino Reitz, no Morro do Baú foto de 1948 |
Foi essa visão de degradação iminente que o levou à ação. A solução, na época, foi a mais prática e urgente possível: Reitz comprou as terras junto ao morro e criou o Parque Botânico Morro Baú.
O propósito era claro e prático: proteger o Morro do Baú era garantir um vasto laboratório natural para as futuras gerações e a estabilidade de uma área de rica biodiversidade. Em seu trabalho como botânico, Pe. Reitz tinha uma convicção simples e poderosa:
“Todas as plantas são potencialmente úteis” (Citação atribuída a Pe. Raulino Reitz)
| Padre Raulino Reitz com Lyman Smith, seu amigo, e maior sistematizador botânico dos EUA |
A Memória Que nos Toca e Clama por Solução
O Parque Botânico Morro do Baú resistiu ao tempo e sua área de vegetação nativa serviu como um bator de vida na tragédia de 2008, um lembrete vivo da importância da conservação que Pe. Reitz tanto pregava.
No entanto, o próprio registro do jornal "O Município" traz um alerta que ecoa até hoje em Ilhota: "Preservado por décadas e abandonado depois da tragédia de 2008, este Parque clama por solução definitiva e perene para sua conservação."
É esse o legado que o Parque Natural Municipal Morro do Baú (decretado em 2015, sucessor do Parque Botânico) precisa honrar. A memória de Raulino Reitz nos convoca à ação e à gestão efetiva, garantindo que o Morro do Baú cumpra seu objetivo original: ser um centro de pesquisa, educação ambiental e um refúgio seguro para a natureza.
Qual a sua memória do Morro do Baú? Já visitou a área do antigo Parque Botânico? Conte-nos sua experiência e nos ajude a honrar o legado do Padre Raulino Reitz!
Referências e Fontes de Memória
As informações e citações utilizadas nesta postagem foram compiladas a partir de fontes históricas e publicações sobre a vida e obra do Cônego Doutor Raulino Reitz, incluindo:
INSTITUTO DO MEIO AMBIENTE DE SANTA CATARINA (IMA). 19 de setembro de 2019: centenário de nascimento do Padre Raulino Reitz.
O MUNICÍPIO. Conheça a história do Padre Raulino Reitz: o pai da botânica catarinense. (Reportagens publicadas em Novembro de 2019).
BESEN, Pe. José A. PADRE RAULINO REITZ. (Artigo de 2012, amplamente referenciado).
Herbário Barbosa Rodrigues (HBR) e outros artigos biográficos sobre sua atuação na criação de Unidades de Conservação.
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