Ilhota Antes dos Belgas: Um Encontro com o Passado Profundo de Santa Catarina.
Fala galera do Viva Ilhota.
Imagine que, sob o asfalto prestes a ser duplicado de uma das estradas mais movimentadas de Santa Catarina, repousava um segredo de quase seis mil anos. Foi exatamente isso que aconteceu na cidade de Ilhota, no Vale do Itajaí, onde a duplicação da BR-470 revelou um dos tesouros mais antigos do nosso litoral: dois esqueletos humanos de 5.880 anos. Este achado monumental, confirmado por datação em laboratórios dos Estados Unidos, está literalmente reescrevendo a história da ocupação humana em nosso estado.
| Extraído do Jornal: O Município |
O Tesouro Descoberto: Sambaqui Ilhota 2
O local da escavação foi nomeado Sambaqui Ilhota 2. Para o arqueólogo Valdir Luiz Schwengber, que coordena a pesquisa, o sítio nos transporta a um passado onde a geografia era diferente: "O local, chamado de Sambaqui Ilhota 2, era uma ilha no meio de uma laguna", explica.
Os sambaquis, marcos da ocupação pré-colonial, são verdadeiros livros de história feitos de camadas de conchas, sedimentos e vestígios de fogueiras. Mas este em particular revelou algo único: os esqueletos, encontrados a 60 centímetros de profundidade.
A hipótese dos pesquisadores é fascinante. Por ser um local isolado e sem água potável, a pequena ilha não servia como moradia permanente. A conclusão mais provável é que o Sambaqui Ilhota 2 fosse um espaço sagrado, dedicado a cerimônias e ritos funerários. Os dois sepultamentos seriam, portanto, parte de um ritual ancestral, uma conexão profunda com o ciclo da vida e da morte em um período distante.
| Extraído do Jornal: O Município |
Um Rosto na História: A Jovem Mulher de 5,8 Mil Anos
Os estudos mais recentes trouxeram detalhes emocionantes sobre um dos indivíduos. As análises indicam que um dos esqueletos pertenceu a uma jovem mulher, com idade estimada entre 20 e 30 anos. Ela foi sepultada em uma cova rasa, deitada de lado, e seu sepultamento foi cercado de rituais, incluindo uma grande fogueira ao lado da cova onde peixes foram consumidos e, em seguida, coberta por um monte de conchas.
A identificação de gênero e idade nos permite ir além do dado científico frio. Agora, podemos enxergar um relato mais íntimo: uma jovem mulher que viveu e foi honrada em um rito há quase seis milênios. Essa descoberta é uma ponte temporal que humaniza a história humana.
| Extraido do Jornal: O Município |
A Importância do Resgate Histórico e Social
A pesquisa, conduzida por uma equipe multidisciplinar (arqueologia, biologia, história) e credenciada pelo Iphan, vai muito além de catalogar ossos e conchas. É um trabalho de descoberta da nossa própria história mais profunda.
O arqueólogo Valdir Luiz Schwengber ressalta a importância desse estudo para todos nós:
“Esse estudo nos permite compreender a dinâmica de ocupação do território onde hoje é o litoral catarinense”
A análise da alimentação revelou uma estratégia de sobrevivência notável: "a dieta era focada em peixes juvenis presentes nas águas rasas (como bagre, robalo e corvina), indicando um profundo conhecimento e adaptação ao ecossistema lagunar".
A Memória na Universidade:
Os vestígios estão preservados para a posteridade: o material coletado, após a fase inicial de análises em laboratório, já foi encaminhado e está sob a guarda da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), em Criciúma. Este é um passo fundamental para a ciência. A reserva técnica da universidade garante a preservação dos vestígios e a possibilidade de estudos contínuos para as futuras gerações de pesquisadores.
| Arqueólogo Valdir Luiz Schwengber |
Os Sambaquis de Ilhota: Uma Tradição Antiga
O Sambaqui Ilhota 2 (com seus 5.880 anos, um dos mais antigos do Brasil) não está sozinho. A região tem um histórico de preservação pré-colonial:
Sambaqui Ilhota 1: O primeiro a ser documentado na região, descoberto na década de 1970 pelo pesquisador J. A. Rohr. Localizado na Fazenda Hering, esse sambaqui, mesmo que parcialmente destruído, é um pilar da história arqueológica local e pavimentou o caminho para a compreensão da magnitude da ocupação humana milenar em Ilhota.
Hoje, a área do Sambaqui Ilhota 2 está protegida, sinalizada e com a intenção de se transformar em um espaço educativo. O objetivo é transformar a ciência em legado, garantindo que o impacto dessa descoberta ressoe na comunidade e que todos possam sentir o peso histórico de ter um registro de quase 6 mil anos em sua cidade.
Para Saber Mais:
Se você deseja aprofundar seu conhecimento sobre o Sambaqui Ilhota 2 e a história pré-colonial da região, confira os materiais abaixo:
Vídeo: Assista ao vídeo
do canal da Espaço Arqueologia.Sambaqui Ilhota II Artigos:
Corpos de 6 mil anos: relembre as ossadas humanas encontradas na BR-470 e preservadas em SC (Documento Oficial do Município de Ilhota)Evolução Histórica de Ilhota
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