Gilmar de Oliveira e as Vozes do Garimpo de Ilhota
Olá, leitores do blog Viva Ilhota!
As memórias de Gilmar, o garimpeiro que viveu o
ouro de Ilhota.
Quando se
fala em ouro, muita gente pensa em filmes, em grandes minas e fortunas
escondidas. Mas para Gilmar de Oliveira, o ouro de Ilhota tinha outro
brilho, o brilho do suor, da esperança e das histórias que ficaram enterradas
junto com a terra revolvida das dragas.
Gilmar
chegou ao bairro Minas nos anos 1980, quando a cidade começava a viver uma
febre inesperada: a descoberta de ouro nas margens dos rios de Ilhota.
Vieram homens de várias partes do Brasil, do Mato Grosso, do Paraná, do interior
de Santa Catarina, todos guiados pelo mesmo sonho: encontrar o “bamburro”,
aquela pepita grande que podia mudar a vida de uma vez.
“Devia
ter uns cem garimpeiros por aqui, todo mundo animado. O dono da terra
liberava, a gente botava a draga e trabalhava dia e noite. O barulho era
constante, parecia que a terra pulsava com a gente”, lembra Gilmar, com o olhar
distante, como quem escuta o som das máquinas ainda ecoando no tempo.
Era uma
vida simples, mas havia uma espécie de código de honra entre eles — a
solidariedade do garimpo. Quando um motor quebrava, todos ajudavam. Quando
um “achado” era grande, o bar do bairro virava ponto de comemoração. “O ouro
vinha em pó, mas quando a gente via brilhar dentro da caixa, parecia que o
mundo parava.”
A convivência com o povo de Ilhota.
O garimpo
acabou virando parte da vida da comunidade. As histórias começaram a se
misturar — os filhos dos garimpeiros brincavam com os das famílias locais, o
comércio ganhou movimento, e as noites do bairro Minas tinham mais luz, barulho
e conversa do que nunca.
O fim do ouro.
Hoje,
Gilmar ainda passa pelos mesmos lugares onde um dia buscou fortuna. O rio
mudou, a mata cresceu, e só a lembrança ficou. “Se cavar ali, ainda sai
ouro. Mas ninguém mais tem coragem de se meter naquilo. A gente aprendeu que o
verdadeiro ouro foi o que vivemos juntos.”
Mais que ouro, memória.
“Era
uma vida dura, mas boa. A gente acreditava que podia vencer com as próprias
mãos. E, de certa forma, venceu.”
Hoje, o brilho do ouro se apagou, mas o brilho da memória continua vivo, nas palavras de Gilmar e nos corações de quem viveu o tempo em que Ilhota foi, por alguns anos, a cidade onde o ouro dormia sob os pés de homens simples e sonhadores.
* Nas fotos é destaque o próprio Gilmar de Oliveira, Wladimir e o Bimba.
Texto
baseado nas memórias de Gilmar de Oliveira, ex-garimpeiro entrevistado em 2008
para o trabalho “Vozes do Garimpo: História e Memória da Extração de Ouro em
Ilhota (1986–1992)”, de Pedro Paulo de Oliveira Abreu.
Gilmar e família atualmete.



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